- Pára!
- Então? Mas não gostas?! Pensei que...
- Sim, já te disse para parares!
- Mas só faço mal a mim. Vê lá se o fumo te chega aí ao nariz... até parece.
- Mas será que ninguém tem um isqueiro.
- Não dês nas vistas, olha o meu pai está a vir para aqui. Gosto, mas por agora pára.
- Então ainda não acabas-te com isso? Quantas vezes mais é preciso dizer que tens um problema nos pulmões e não podes continuar com isso, não basta saberes isso para acaberes com isso de uma vez por todas?
- Mas porquê? Ninguém vê. Eu encarrego-me de carregar o teu peso de consciencia comigo.
- Estú
- ....., Porque irei parar de me matar, para isso não estaria viva.
- Vála, ninguém vê.
- Eu estou longe, não estou a fazer mal a ninguém.
- Ninguém tem um isqueiro?
Atirei o cigarro pelas escadas a baixo e juntei-me á familia, tirei um pastel de nata, daqueles em miniatura e pus-lhe um pouco de canela, sabor combinado que de familiar quase se aproximou esse sabor. Sentei-me e como sempre fiquei calada.
- Ninguém tem um isqueiro?
- Eu tenho.
- Espera, espera... ESPEREM LÁÁÁ!!! deixem-me apagar as luzes.
.
- 1, 2... (Para...), 3
- ...bens a..
- Par..
"Parabens a você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. Hoje é dia de festa, cantam as nossas almas....... , uma salva de palmas." E eu não soprei as velas.
Estavam ali, no escuro em pé, abanavam a cabeça cor de laranja e vermelha, ás vezes pareciam ter ataques de epilepsia, outras vezes pareciam ouvir musica... e eu fiquei a olhar para elas, no escuro. Sentei-me e apoiei o queixo nos punhos cruzados que me apoiavam a cabeça sobre a mesa fria.
Esta é a cantiga que nos permite (nós, as almas) brindar a qualquer um a coragem e força de um corpo físico, com uma alma nossa (como a nossa - tomando em conta que a alma nunca é objecto de comparação a uma outra) dentro manter-se viva. Mantém-se, aguenta-se... e está entre nós, pelo menos até quando nos desaparecer de vista, brindamos-lhe o corpo, relembra-mos (apesar de isso nunca acontecer literalmente), numa espécie de vómito entre chicotadas, o nascimento. Os espasmos, o sufoco de tentar respirar pelos pulmoes, o batimento cardiaco acelarado como um rato, como que o mundo tivesse acabádo naquele momento, o apocalipse.
E ficámos todos assim, sentados em volta da mesa, no escuro a olhar para as velas, cada um pensava para si, expirava e encontrava-se por dentro a cada pré inspiração. A tentação era muita, mas parecia que tinha medo de apagar as velas, sentia como se me estivesse a suicidar pela vigésima vez. Mas tinha que pedir o desejo, então tirei uma vela e mordi, o ritualzinho que tinha adoptado por ver numa festa de aniversario de uma colega de escola minha que nem me lembro do rosto nem do nome. Dei-lhe uma dentada e recoloquei-a no seu local. Então deixei as velas dançarem e queimarem até ao fim.
Esta foi a ultima ceia, no dia 21, há quem diga que esse é o dia do fim deste mundo,ou o inicio de uma nova conciencia. Há quem diga que, e assim o é, o eixo da terra está a alterar-se e começou a fazê-lo em 1989 já atingindo 3 graus desde então. Não é de espantar noticias de jornal como no correio da manhã, uma familia tinha inventado um fake para arranjar dinheiro com o objectivo de construir uma especie de arca de Noé, mas uma versao mais moderna e subterranea. Via-se a cara de apavorados... os dois miudos e os pais.
21 12 2012, e nesse dia o sol estará alinhado com a terra e com o centro da galáxia recebendo emissoes plasma, fazendo com que sucedam varias exploes solares, algumas erupçõezitas, mas nada que nos deva preocupar visto que temos a nossa camada de ozono em bom estado. Temos um buraquinho, mas ele também não está prepositadamente em cima da nossa cabeça, está lá no gelo. Isto é, pronto, não é bem um buraco... é uma diminuição da espessura dessa camada (O2+O = O3) por cima da Antártida e só tem o tamanho dos E.U.A. É engraçado pensar que para termos gelo em casa e podermos refrescar as nossas cervejinhas, estamos a descongelar o planeta.










eu poracaso até meti o local, nao sei é o nome da serra
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"I want to be in the energy, not with the enemy"
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